Baú das Histórias e Poemas é um blog educacional com sugestões de textos que podem ser usados em atividades escolares. Iniciado em 21/04/2010.

11 de agosto de 2010

30 de julho de 2010

Poemas de Pedro Bandeira


Poemas de
Pedro Bandeira
~~~~~~~~~~~~~~~~
Os sete gatinhos
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Bete tem sete gatinhos.
Um foi tomar leite, ficaram seis.
Bete tem seis gatinhos.
Um fugiu do cão, ficaram cinco.
Bete tem cinco gatinhos.
Um foi pegar o rato, ficaram quatro.
Bete tem quatro gatinhos.
Um foi comer mingau, ficaram três.

Bete tem três gatinhos.
Um foi ao cinema, ficaram dois.
Bete tem dois gatinhos.
Um foi tomar banho, ficou só um.

Bete tem um gatinho,
tem um gatinho só.
Bete vai dar carinho
pra ele o nome Filó.

Filó é fofo e dengoso,
gostoso de se agradar.
Nem adianta pedir,
esse ninguém vai levar!

♥♥♥

Por enquanto eu sou pequeno
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Por enquanto sou pequeno,
mas vou aprender a ler:
já sei ler palavra inteira,
leio pra cima, e pra baixo,
e plantando bananeira!

Por enquanto sou pequeno,
uma coisa vou dizer,
com certeza e alegria:
sei que nunca vou esquecer
da beleza da poesia!

♥♥♥

Obrigado, mamãe!
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Hoje é o melhor dia do ano,
É um dia especial.
É mais que aniversário!
Hoje é o Dia das Mães!
É tão bom quanto o Natal!

Vou muito bem na escola
E não fiz nada de errado
Pra ter que bajular.
Então deve ser verdade
Isso que eu quero falar:

Obrigado, mamãe,
Pelas noites mal dormidas,
Pelas horas tão sofridas
Que você me dedicou.

Obrigado, mamãe,
Por esse amor tão profundo,
Por me ter posto no mundo,
Por fazer tudo o que eu sou.

Muito obrigado, mamãe!
Obrigado por seu carinho,
Por todo esse amor, todinho,
Que você deu para mim...
Obrigado, mamãe...~

♥♥♥

Quem sempre foi, sempre será
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No passado e no futuro,
preste muita atenção,
para os dois não misturar,
pois só vai dar confusão!

Os políticos prometem,
se ganharem a eleição.
Se mentiram no passado,
no futuro mentirão!

Os ladrões não tem jeito,
pois em tudo põem a mão.
Se roubaram no passado,
no futuro roubarão!

Os cantores e as cantoras
vão cantar suas canção.
Se cantaram no passado,
no futuro cantarão!

As velhinhas tão doentes
tomam mel com agrião.
Se tossiram no passado,
no futuro tossirão!

Quem disser que estou errado,
que não tenho razão,
saiba que eu estou muito certo,
nisso eu sou um campeão!

Pois quem hoje é um boboca
não vai ter conserto não.
Quem foi bobo no passado,
no futuro é paspalhão.

♥♥♥

Esse Pequeno Mundo
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Sei que o mundo é mais que a casa,
Mais que a rua, mais que a escola,
Mais que a mãe e mais que o pai.

Vai além do horizonte,
Que eu desenhei no caderno,
Como linha reta e preta,
Que separa azul de verde.

Sei que é muito, sei que é grande,
Sei que é cheio, sei que é vasto.

Me disseram que é uma bola,
Que flutua pelo espaço,
Atirada pelo espaço,
Atirada pelo chute
De um gigante poderoso;
Vai direto para um gol,
Que ninguém sabe onde é.

Mas para mim o que mais conta
É este mundo que eu conheço
E que cabe direitinho
Bem debaixo do meu pé.

♥♥♥

Meu aniversário
~~~~~~~~~~~~~~~~
Hoje é meu aniversário,
é um dia sem igual!
Eu queria que hoje fosse
feriado nacional!

♥♥♥

Adivinhe quem eu sou!
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Eu tenho cinco pontinhas,
cada uma de um tamanho.
Eu coço a cabeça,
mas não tenho cabeça.
Eu tenho costas,
mas não tenho peito.
Eu tenho uma irmãzinha,
que é igualzinha a mim.
Mas, se você gosta de festa
e de cantar "parabéns",
eu bato na minha irmã
e a minha irmã bate em mim!~

♥♥♥

A minha família
~~~~~~~~~~~~~~~~
Eu gosto da
minha mãe,
do meu pai,
do meu irmão.
Nem sei como
tanta gente
cabe no
meu coração!

♥♥♥

Os meus errinhos
~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Está bem, eu confesso que errei.
Eu errei, está bem, me dê zero!
Me dê bronca, castigo, conselho.
Mas eu tenho o direito de errar.

Só o que eu peço é que saibam
Que eu necessito errar.
Se eu não errar vez por outra
Como é que eu vou aprender
Como se faz pra acertar?

Pais, professores, adultos
Também já erraram à vontade,
Já fizeram sujeira e borrão.
Ou vai dizer que a borracha
Surgiu só nesta geração?

Vocês que errando aprenderam,
Ouçam o que eu tenho a falar:
Se até hoje cometem seus erros,
Só as crianças não podem errar?

Concordem, eu estou aprendendo.
Comparem meus erros com os seus,
Se já cometeram os seus erros,
Deixem-me agora com os meus!

♥♥♥

Meu desenho
~~~~~~~~~~~~~~~
Com meus lápis de cor,
desenhei um passarinho.
Ele ficou tão perfeito
que até voou pro ninho.

Organizado por Ivanise Meyer®

Pedro Bandeira

Pedro Bandeira
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Pedro Bandeira de Luna Filho (Santos, 9 de março de 1942) é um escritor brasileiro de livros infanto-juvenis. Recebeu vários prêmios, como o Prêmio APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, entre outros.

Além de professor, trabalhou em teatro profissional até 1967 como ator, diretor, cenógrafo e com teatro de bonecos. Mas desde 62, Pedro já trabalhava também na área de jornalismo e publicidade, começando na revista "Última Hora" e depois na editora Abril, onde escreveu para diversas revistas e foi convidado a participar de uma coleção de livrinhos infantis.


Seu primeiro livro foi "O dinossauro que fazia au-au", voltado para as crianças, e fez um grande sucesso. Mas foi com "A Droga da Obediência", voltado para adolescentes - que ele considera seu público alvo - que ele se consagrou. Este foi seu livro com o a maior vendagem de exemplares de todos os tempos.

Desde então, a partir de 1983, Pedro Bandeira dedicou-se inteiramente à literatura. Ele garante que a experiência em jornais e revistas o ajudaram como escritor, uma vez que o jornalista é obrigado a estar preparado para escrever sobre quase tudo. A inspiração para cada história, segundo o autor, vinha de livros que leu e nos acontecimentos de sua própria vida. Criatividade nunca faltou ao santista, mas quando isso acontece, Pedro abre o e-mail de seu computador e começa a ler as mais de 300 mensagens e cartas que recebe semanalmente de seus leitores de todo Brasil. "Às vezes tiro ideias das cartas porque o conteúdo das mensagens são os mais diversos. Tem quem pede conselho sentimental, outros dizem que não se dão bem com os pais e já recebi até carta de presidiário. Tento responder a todas".

Pedro Bandeira é o autor de literatura juvenil mais vendido no Brasil (vinte milhões de exemplares até 2006) e, como especialista em letramento e técnicas especiais de leitura, profere conferências para professores em todo o país. É autor de setenta e sete livros publicados, entre eles títulos consagrados como a série Os Karas, A marca de uma lágrima, Agora estou sozinha…, A hora da verdade e Prova de Fogo.


Indico:
Cavalgando o arco-íris
Ed. Moderna

Organizado por Ivanise Meyer®

28 de julho de 2010

Poemas de Carlos Drummond de Andrade

Poemas de
Carlos Drummond de Andrade
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A Palavra Mágica
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Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procure sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

♥♥♥

Lagoa
~~~~~~~~~
Eu não vi o mar.
Não sei se o mar é bonito,
não sei se ele é bravo.
O mar não me importa.

Eu vi a lagoa.
A lagoa, sim.
A lagoa é grande
e calma também.

Na chuva de cores
da tarde que explode
a lagoa brilha
a lagoa se pinta
de todas as cores.
Eu não vi o mar.
Eu vi a lagoa...

♥♥♥

Canção Amiga
~~~~~~~~~~~~~~~~
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

♥♥♥

Infância
~~~~~~~~~~
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

♥♥♥
Brincar na rua
~~~~~~~~~~~~~~~
Tarde?
O dia dura menos que um dia.
O corpo ainda não parou de brincar
e já estão chamando da janela:
É tarde.

Ouço sempre este som: é tarde, tarde.
A noite chega de manhã?
Só existe a noite e seu sereno?

O mundo não é mais, depois das cinco?
É tarde.
A sombra me proíbe.
Amanhã, mesma coisa.
Sempre tarde antes de ser tarde.

♥♥♥

O Doce
~~~~~~~~~~
A boca aberta para o doce
já prelibando a gostosura,
e o doce cai no chão de areia, droga!

Olhar em redor. Os outros viram.
Logo aquele doce cobiçado
a semana inteira, e pago do seu bolso!
Irá deixá-lo ali, só porque os outros
estão presentes, vigilantes?

A mão se inclina, pega o doce, limpa-o
de toda areia e mácula do chão.
"Se fosse em casa eu não pegava não,
mas aqui no colégio, que faz mal?"

Organizado por Ivanise Meyer®

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade
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Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro.

Nascido e criado na cidade mineira de Itabira, Carlos Drummond de Andrade levaria por toda a sua vida, como um de seus mais recorrentes temas, a saudade da infância. Precisou deixar para trás sua cidade natal ao partir para estudar em Friburgo e Belo Horizonte.

Formou-se em Farmácia, atendendo a insistência da família em graduar-se. Trabalha em Belo Horizonte como redator em jornais locais até mudar-se para o Rio de Janeiro, em 1934, para atuar como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, então nomeado novo Ministro da Educação e Saúde Pública.

Em 1930, seu livro "Alguma Poesia" foi o marco da segunda fase do Modernismo brasileiro. O autor demonstrava grande amadurecimento e reafirmava sua distância dos tradicionalistas com o uso da linguagem coloquial, que já começava a ser aceita pelos leitores.

Drummond também falava sobre temas como o desajustamento do indivíduo, ou as preocupações sócio-políticas da época, como em “A Rosa do Povo” (1945). Apesar de serem temas fortes, ele conseguia encontrar leveza para manter sua escrita com humor e uma sóbria ironia.

Produzindo até o fim da vida, Carlos Drummond de Andrade deixou uma vasta obra. Quando faleceu, em agosto de 1987, já havia destacado seu nome na literatura mundial. Com seus mais de 80 anos, considerava-se um "sobrevivente", como destaca no poema "Declaração de juízo".


Indico:
Coleção Verso na prosa/Prosa no verso é direcionada para o público infantil.

♥♥♥
Organizado por Ivanise Meyer®

Poemas de Henriqueta Lisboa

Poemas de
Henriqueta Lisboa
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Segredo
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Andorinha no fio
escutou um segredo.
Foi à torre da igreja,
cochichou com o sino.

E o sino bem alto
Delém-dem
Delém-dem
Delém-dem
Delém-dem!

Toda a cidade
ficou sabendo.

♥♥♥

Ciranda de mariposas
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Vamos todos cirandar
ciranda de mariposas.
Mariposas na vidraça
são jóias, são brincos de ouro.

Ai! poeira de ouro translúcida
bailando em torno da lâmpada.
Ai! fulgurantes espelhos
refletindo asas que dançam.

Estrelas são mariposas
(faz tanto frio na rua!)
batem asas de esperança
contra as vidraças da lua.

♥♥♥

Coraçãozinho
~~~~~~~~~~~~~~
Coraçãozinho que bate
tic-tic
Relóginho do papai
tic-tac
Vamos fazer uma troca?
tic-tic-tic-tac
Relógio fica comigo
tic-tic
dou coração a Papai
tic-tic-tac.

♥♥♥

A ovelha
~~~~~~~~~~~
Encontrastes acaso
a ovelha desgarrada?
A mais tenra
do meu rebanho?
A que despertava ao primeiro
contato do sol?
A que buscava a água sem nuvens
para banhar-se?
A que andava solitária entre as flores
e delas retinha a fragrância
na lã doce e fina?
A que temerosa de espinhos
aos bosques silvestres
preferia o prado liso, a relva?
A que nos olhos trazia
uma luz diferente
quando à tarde voltávamos
ao aprisco?
A que nos meus joelhos brincava
tomada às vezes de alegria louca?
A que se dava em silêncio
ao refrigério da lua
após o longo dia estival?
A que dormindo estremecia
ao menor sussurro de aragem?
Encontrastes acaso
a mais estranha e dócil
das ovelhas?
Aquela a que no coração eu chamava
– a minha ovelha?

♥♥♥

Mamãezinha
~~~~~~~~~~~~~~
Mamãezinha, conta,
conta um história!

Mamãezinha agora
está no fogão
fazendo quitutes
para o seu neném.

Mamãezinha, conta,
conta uma história!

Mamãezinha agora
está no tanque
lavando as roupas
do seu neném.

Conta, Mamãezinha,
conta uma história!

Mamãezinha agora
está no seu sono
cansado, sem sonhos.

Organizado por Ivanise Meyer®

Henriqueta Lisboa

Henriqueta Lisboa
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Henriqueta Lisboa (1901-1985), poeta mineira considerada pela crítica um dos grandes nomes da lírica modernista, dedicou-se à poesia, ensaios e traduções. Nasceu em Lambari, Minas Gerais, em 15 de julho de 1901, filha do farmacêutico e deputado federal João de Almeida Lisboa e de Maria Rita Vilhena Lisboa. Formou-se normalista pelo Colégio Sion de Campanha, MG, e, em 1924, mudou-se para o Rio de Janeiro.

Dedicou-se à poesia desde muito jovem. Com Enternecimento, publicado em 1929, de forte caráter simbolista, recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Aderiu ao Modernisno por volta de 1945, fortemente influenciada pela amizade com Mário de Andrade, com quem trocou rica correspondência entre os anos de 1940 e 1945. Sua produção inclui, além da poesia, inúmeras traduções, ensaios e antologias. Foi a primeira mulher eleita para a Academia Mineira de Letras em 1963.

Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra. Foi professora de Literatura Hispano-Americana e Literatura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica (Puc Minas) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Poeta sensível, dedicou sua vida à poesia. Considerada um dos grandes nomes da lírica modernista pela crítica especializada, Henriqueta manteve-se sempre atuante no diálogo com os escritores e intelectuais de sua geração e angariou muitos leitores ilustres durante sua vida, dentre eles Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Gabriela Mistral.

Sobre sua poesia, Drummond nos deixou o seguinte testemunho: “Não haverá, em nosso acervo poético, instantes mais altos do que os atingidos por este tímido e esquivo poeta.”

Henriqueta faleceu em Belo Horizonte, no dia 9 de outubro de 1985. Seu Centenário foi comemorado ao longo do ano de 2002 e, além de inúmeros eventos culturais em sua homenagem, várias reedições de sua obra foram feitas com o objetivo de revelar a força de sua poesia para os jovens de hoje.

Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br/hlisbo00.html

Indico:
O menino poeta
Ed. Peirópolis
Literatura Oral para a Infância e a Juventude
Ed. Peirópolis
♥♥♥
Esse livro tem história...
Eu tinha esse livro que está acima na foto. Ele é da edição de 1967, ficou todo molhado depois de uma chuva que entrou dentro de casa nos anos 70. Colocamos para secar e guardei meu tesouro. Quantas pesquisas fiz nesse livro!
Muito tempo depois, descobri que fora reeditado pela Ed. Peirópolis, e mesmo com essa nova edição, guardo meu tesouro com suas páginas marcadas pela água da chuva e pelo uso por tantos anos...


Organizado por Ivanise Meyer®

Poemas de Roseana Murray

Poemas de Roseana Murray
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A Lua
~~~~~~~
A lua pinta a rua de prata
e na mata a lua parece
um biscoito de nata.

Quem será que esqueceu
a lua acesa no céu?

♥♥♥

Beija-flor
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Beija-flor pequenininho
que beija a flor com carinho
me dá um pouco de amor,
que hoje estou tão sozinho...

Beija-flor pequenininho,
é certo que não sou flor,
mas eu quero um beijinho
que hoje estou tão sozinho...

♥♥♥

Os Anjos
~~~~~~~~~~
Os anjos
criaturas de encantamento
habitam meus pensamentos.
O que podem os anjos,
de mãos azuis,
fazer por nós,
simples humanos?

O que podem,
com seu hálito de estrelas,
o céu nos olhos
e uma enorme compreensão
para com nossos corações fatigados?

Que um anjo durma
sempre ao meu lado
e faça com seu silêncio
o tecido dos meus sonhos.

♥♥♥

Surpresas
~~~~~~~~~~~~
Este menino tem sempre
Cinquenta surpresas nos bolsos:
Uma pedrinha encardida que,
Diz ele, dá sorte na vida.
Uma bala amassada
Que para alguma emergência
Ele traz guardada.
Uma viagem de volta ao mundo
Em um segundo
E uma entrada (permanente)
Para o circo que fica montado
Dentro de seu pensamento.

♥♥♥

Falando de livros
~~~~~~~~~~~~~~~~
O livro é a casa
onde se descansa
do mundo

O livro é a casa
do tempo
é a casa de tudo

Mar e rio
no mesmo fio
água doce e salgada

O livro é onde
a gente se esconde
em gruta encantada.

♥♥♥

Classificados poéticos
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Procura-se um equiibrista
que saiba caminhar na linha
que divide a noite do dia
que saiba carregar nas mãos
um fino pote cheio de fantasia
que saiba escalar nuvens arredias
que saiba construir ilhas de poesia
na vida simples de todo dia.

♥♥♥

Receita de espantar a tristeza
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Faça uma careta
e mande a tristeza
pra longe pro outro lado
do mar ou da lua

vá para o meio da rua
e plante bananeira
faça alguma besteira

depois estique os braços
apanhe a primeira estrela
e procure o melhor amigo
para um longo e apertado abraço.

♥♥♥

Receita de olhar
~~~~~~~~~~~~~~~~~
Nas primeiras horas da manhã
desamarre o olhar
deixe que se derrame
sobre todas as coisas belas
o mundo é sempre novo
e a terra dança e acorda
em acordes de sol
faça do seu olhar imensa caravela.

♥♥♥

O poeta
~~~~~~~~~~
O poeta vai tirando da vida
os seus poemas
como pássaros desobedientes
e amestrados

A palavra é o seu castelo
sua árvore encantada,
abracadabra construindo o universo.

♥♥♥

Palavra exata
~~~~~~~~~~~~~
Para buscar a palavra
exata,
a palavra-mapa,
a que me nomeia,
abstrata, precária.
O vento me envolve
e sopra música
em meus ossos:
talvez eu seja
essa canção
invertebrada,
esse sopro.
in Carteira de Identidade, Ed. Lê, ilustrações de Elvira Vigna.


Organizado por Ivanise Meyer®

Roseana Murray

Roseana Murray
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Lingua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy/ Aliança Francesa).


Publicou seu primeiro livro infantil em 1980 (Fardo de Carinho, ed. Murinho, R.J). Em 2007 tem mais de 50 livros publicados. Tem dois livros traduzidos no México (Casas, ed. Formato e Três Velhinhas tão velhinhas, ed. Miguilim/ Ibeppe) . Seus poemas estão em antologias na Espanha. Tem poemas traduzidos em seis linguas ( in Um Deus para 2000, Juan Arias, ed. Desclée e Maria, esta grande desconhecida, Juan Arias, ed. Maeva.).

Recebeu o Prêmio O Melhor de Poesia da FNLIJ nos anos 1986 (Fruta no Ponto, ed. FTD), 1994 (Tantos Medos e Outras Coragens, ed. FTD) e 1997 (Receitas de Olhar, ed. FTD).

Recebeu o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte em 1990 para o livro Artes e Ofícios, ed. FTD, S.P.

Entrou para a Lista de Honra do I.B.B.Y em 1994 com o livro Tantos Medos e Outras Coragens tendo recebido seu diploma em Sevilha, Espanha.

Recebeu o Prêmio Academia Brasileira de Letras em 2002 para o livro Jardins ed. Manati, R.J como o melhor livro infantil do ano.

Participou ao longo destes anos de vários projetos de leitura. Implantou em Saquarema, em 2003, junto com a Secretaria Municipal de Educação, o Projeto Saquarema, Uma Onda de Leitura.

Visite o seu blog: http://www.blogdaroseana.blogspot.com/
 

Indico:
Receitas de Olhar
Ed. FDT
Ilustrações: Elvira Vigna

Organizado por Ivanise Meyer®

26 de julho de 2010

Poemas de Maria Mazzetti

Poemas de
Maria Mazzetti
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
O que eu descubro
~~~~~~~~~~~~~~~~~
Pelo quintal, no jardim,
parece tudo quietinho...
não se ouve um barulhinho...

Mas embaixo das plantinhas
Um milhão de formiguinhas...

Entre as flores e entre as telhas,
passeiam muitas abelhas.

De um buraquinho redondo
vem saindo um marimbondo.

No tronco igual a uma lixa,
escorrega a lagartixa.

E debaixo de uma pedra,
bem debaixo escondidinha
Eu descubro a joaninha!

♥♥♥

Plantando Flor
~~~~~~~~~~~~~~
A coelha Flozô adorava flor.
Plantou uma, duas, muitas flores.
As flores cresceram, cresceram...

Flor dourada, perfumada
despencada, desfolhada,
rechonchuda, bolachuda,
cor de rosa, melindrosa,
pequeninha, redondinha.

Foi tanta, mas tanta flor!
A Flozô acabou virando planta.
Não podia mais plantar...

Aí, chegou o Pai Coelho
Desvirou a planta em coelha
E Flozô continuou plantando flor...

♥♥♥

Quem mora?
~~~~~~~~~~~~~
Quem mora na casa torta?
Sem janelinha e sem porta

Um gato
que usa sapato
e tem retrato no quarto.
No quarto?

Uma florzinha
pequenininha
de sainha
Curtinha?

Um elefante com rabinho de barbante?
Um papel de óculos e chapéu?
Um botão que toca violão?
Um pente com dor de dente?

Quem mora na casa? Quem?
Invente depressa alguém.

♥♥♥

Esconde-esconde
~~~~~~~~~~~~~~
Brincando de esconde-esconde,
todo mundo se escondeu.
O pato correu, correu.
Num buraco se meteu.

O tatu foi lá pra árvore.
Se escondeu bem na raiz.
Tamanduá se escondeu,
mas esqueceu do nariz...

O rato foi bem depressa
pra debaixo do tapete.
Ninguém vai achar a pulga
que é menor do que alfinete.

Tem um bicho escondidinho...
Quero ver se tu descobres
de quem é este rabinho...

♥♥♥

Ouve só...
~~~~~~~~~~~
O meu cavalinho branco
Usava sempre tamanco.

Ele vivia mancando,
caindo e tropeçando.

Então trocou o tamanco
Por pedacinhos de Lua.
Mas a Lua derreteu
Bem lá no meio da rua.

Aí trocou o tamanco
Pela cenourinha crua.
A cenoura esborrachou
Bem lá no meio da rua.

Trocou, no fim o tamanco
Por ferradura que é dura.

Ouve só o barulhinho
Das patas do cavalinho...

 
Relação de textos nos livros (eu tenho os livros da 1.ª edição). Essa coleção foi editada com uma nova capa em 2009 pela mesma editora Ao Livro Técnico.
 
(Livro 1) - Aconteceu minha gente um dia bem diferente
Textos: Dia diferente, Calhambeque...beque...beque, Casamento,  Cuidado, fantasma!, Uma vovó pra mim, Oncinha fujona, Um barquinho.
(Livro 2) - Ouve só...
Textos: Ouve só, Elefante elegante, Zimu, Gato Xadrez, Jacaré na praia, Nhoque, O que eu descubro.
(Livro 3) - Parou, paradinho
 
(Livro 4) Boquinha Fechada
Textos: Boquinha fechada, Família Repinica, Quanto palito!, Bom dia, boa tarde, boa noite, Não vale, Correndo...correndo...correndo, Quem mora?
(Livro 5) Pois é...
Textos: Pois é..., O Perde-tudo, Psiu, Cabeça virada, Canção de ninar hipopótamo, Bruxa Fulustreca, Esconde esconde.
(Livro 6) O chá das panelas
Textos: O chá das panelas, Não, Sim!, Plantando flor, Quanta sabedoria!, Cochichos, A escolinha dos sapos, Socorro!
 
Organizado por Ivanise Meyer®

Maria Mazzetti

Maria Mazzetti
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Maria Mazzetti (1926-1974) encanta crianças com histórias envolventes. Seus poemas contém uma rara magia escondida nas palavas.
Foi professora primária e técnica em educação. Participou da Rádio-Escola (Rádio Roquette-Pinto), sob a direção da Prof. Flávia da Silveira Lobo. Chefiou o Setor de Teatro Infantil, da Seção de Bibliotecas e Auditórios — Divisão de Educação Primária Fundamental (Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Guanabara) e dirigiu o Teatro Gibi (teatro de bonecos) desse mesmo Setor.
Os textos literários de Maria Mazzetti são verdadeiros clássicos na arte de escrever para crianças.
Laura Sandroni definiu muito bem a vocação irreversível da escritora:

"Mazzetti foi a primeira a escrever para crianças bem pequenas, naquela linguagem doce e coloquial que caracteriza seu texto cheio de graça e encantamento. Ninguém usa melhor os diminutivos, nem elabora mais imaginosamente o cotidiano da vida familiar. Sua temática abrange desde o ato de lavar roupas, até pregar botões, falando de coisas simples que as crianças vivenciam, para tocar em problemas também comuns a todas elas."

Fontes: Cruz, Domingo Gonzalez. A história de Maria Mazetti. Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa.
CD Olá (poemas de Maria Mazzetti musicados por Denise Mendonça)

Indico a coleção:

Editora Ao Livro Técnico
(atualmente a coleção está com outras capas)
Organizado por Ivanise Meyer®

25 de julho de 2010

Poemas de Sérgio Capparelli

Poemas de
Sérgio Capparelli
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Minha Cama
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Um hipopótamo na banheira
molha sempre a casa inteira.

A água cai e se espalha
molha o chão e a toalha.

E o hipopótamo: nem ligo
estou lavando o umbigo.

E lava e nunca sossega,
esfrega, esfrega, esfrega

a orelha, o peito, o nariz
as costas das mãos, e diz:

Agora vou dormir na lama
pois é lá a minha cama!

♥♥♥

Era uma vez
~~~~~~~~~~~~
Era uma vez
um gato cotó:
fez cocô procê só.

E o gato zarolho
veio depois:
fez cocô procês dois.

Tinha também
um gato zadrez:
fez cocô procês três.

O gato seguinte
usava sapato:
fez cocô procês quatro.

Quem não conhece
o gato Jacinto:
fez cocô procês cinco.

Do gato azarado
chegou a vez:
fez cocô procês seis.

Ah, que beleza!
É o gato coquete:
fez cocô procês sete.

Bom dia! Banoite!
E o gato maroto:
fez cocô procês oito.

E o gato zebrado
também resolve:
fez cocô procês nove.

Viche! Vem chegando
O gato Raimundo:
Traz cocô pra todo mundo.

♥♥♥

Os três macacos
~~~~~~~~~~~~~~~~
Os três macacos chegaram
E estão na sala sentados.

O primiero macaco não vê
E tem um motivo, é cego.

O segundo macaco não escuta,
Não escuta, pois nasceu surdo.

Se quer ouvir o terceiro,
Desista, porque ele é mudo.

Na sala, estão que nem você,
Que não fala, não ouve e não vê.

♥♥♥

A Semana Inteira
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
A segunda foi à feira,
Precisava de feijão;
A terça foi à feira,
Pra comprar um pimentão;
A quarta foi à feira,
Pra buscar quiabo e pão;
A quinta foi à feira,
Pois gostava de agrião;
A sexta foi à feira,
Tem banana? Tem mamão?

Sábado não tem feira
E domingo também não.

♥♥♥

Seu Lobo
~~~~~~~~~~~~
Seu lobo, por que esses olhos tão grandes?
Pra te ver, Chapeuzinho.

Seu lobo, pra que essas pernas tão grandes?
Pra correr atrás de ti, Chapeuzinho.

Seu lobo, por que esses braços tão fortes?
Pra te pegar, Chapeuzinho.

Seu lobo, pra que essas patas tão grandes?
Pra te apertar, Chapeuzinho.

Seu lobo, por que esses nariz tão grande?
Pra te cheirar, Chapeuzinho.

Seu lobo, por que essa boca tão grande?
Ah, deixa de ser enjoada, Chapeuzinho!~

♥♥♥

Minha Sombra
~~~~~~~~~~~~~~

Minha sombra
Me assombra.

Eu dou um pulo
E ela pára no ar.

Eu subo em árvore,
Ela desce escada.

Eu ando a cavalo,
Ela segue a pé.

Eu vou à festa!
Oba, vou nessa!

♥♥♥

O Trabalho e o Lavrador
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
O que disse o pão ao padeiro?
Antes de pão, eu fui farinha,
Farinha que o moinho moía
Debaixo do olhar do moleiro.

O que disse a farinha ao moleiro?

Um dia fui grão de trigo
Que o lavrador ia colhendo
E empilhando no celeiro.

O que disse o grão ao lavrador?

Antes de trigo, fui semente,
Que tuas mãos semearam
Até que me fizesse em flor.

O que disse o lavrador às suas mãos?

Com vocês, lavro essa terra,
Semeio o trigo, colho o grão,
Môo a farinha e faço o pão.

E a isso tudo eu chamo trabalho.

♥♥♥

Mãe
~~~~~~~~
De patins, de bicicleta
de carro, moto, avião
nas asas da borboleta
e nos olhos do gavião
de barco, de velocípedes
a cavalo num trovão
nas cores do arco-íris
no rugido de um leão
na graça de um golfinho
e no germinar do grão
teu nome eu trago, mãe,
na palma da minha mão.

Organizado por Ivanise Meyer®

Sérgio Capparelli

Sérgio Capparelli
~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Sérgio Capparelli (Uberlândia, MG, 1947). Escritor de literatura infantil e juvenil, jornalista e professor. Filho do caixeiro-viajante Emmanuele Capparelli e Cecília Guimarães Capparelli. Em 1965 vai com a família para Goiânia, e, após nova mudança dos pais, permanece sozinho na cidade para terminar o ano letivo. Passa seis meses de 1966 em Curitiba, fixando-se, em seguida, em Porto Alegre.
Cursa jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS enquanto trabalha nos jornais Zero Hora e Folha da Manhã. Nesse período faz muitas viagens pela América Latina e Europa.
Em 1972, durante uma estada em Paris, inicia o doutorado em ciências da informação na Universidade de Paris II, dedicando-se ao estudo da televisão brasileira. Vive algum tempo em Munique, Alemanha, onde publica a novela Favela S.A., em 1973.
Começa a lançar seus livros, a primeira novela infanto-juvenil sai em 1979 com o título Os Meninos da Rua da Praia, ao mesmo tempo que inicia a carreira de professor no curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUC/RS e da UFRGS. A conclusão do doutorado se dá somente em 1980, quando defende a tese A Televisão Brasileira e Seu Modelo de Desenvolvimento.
Além de uma obra diversas vezes premiada, dedicada a crianças e adolescentes, Sérgio Capparelli tem vários estudos publicados sobre jornalismo e comunicação de massa.
Recebe em 1983 o Prêmio Jabuti em ciências humanas pelo ensaio Televisão e Capitalismo no Brasil.
Desde 2005, vive em Pequim, China, trabalhando na Xinhua News Agency. Tem concluída a tradução, do chinês para o português, em parceria com Márcia Schmaltz, de 50 Fábulas da China Fabulosa, publicada pela editora LP&M.

Indico este livro:

111 poemas para crianças

Organizado por Ivanise Meyer®

10 de julho de 2010

Poemas de Vinicius de Moraes

Poemas de
Vinicius de Moraes
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
O pato
~~~~~~
Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o pato
Para ver o que é que há.

O pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.~

♥♥♥

A casa
~~~~~~
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.

♥♥♥

As borboletas
~~~~~~~~~~~~~~
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então . . .
Oh, que escuridão!

♥♥♥

O relógio
~~~~~~~~~~
Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac . . .

♥♥♥

A porta
~~~~~~~~~~
Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de sopetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa . . .)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

♥♥♥

A Foca
~~~~~~~~~~
Quer ver a foca
Ficar feliz?
É por uma bola
No seu nariz.

Quer ver a foca
Bater palminha?
É dar a ela
Uma sardinha.

Quer ver a foca
Fazer uma briga?
É espetar ela
Bem na barriga!

Fonte: A Arca de Noé, Vinicius de Moraes, Companhia das Letrinhas

Organizado por Ivanise Meyer®

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