Baú das Histórias e Poemas é um blog educacional com sugestões de textos que podem ser usados em atividades escolares. Iniciado em 21/04/2010.

4 de fevereiro de 2013

Literatura Infantil


Literatura Infantil
Conceitos importantes
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Como situar a literatura infantil no quadro conceitural dos gêneros literários? Segundo a classificação proposta por Nelly N. Coelho (2000) temos:

• Gêneros (formas geradoras): poesia, ficção e teatro.

Gênero é a expressão estética de determinada experiência humana de caráter universal: a vivência lírica (o eu mergulhado em suas próprias emoções), cuja expressão essencial é a poesia; a vivência épica (o eu em relação com o outro, com o mundo social), cuja expressão é a prosa, a ficção; e a vivência dramática, cuja expressão básica é o diálogo, a representação, isto é, o teatro.

• Subgêneros (formas básicas):

a) Elegia, soneto, ode, hino, madrigal, etc. (poesia)
b) Conto, romance, novela, literatura infantil (ficção)
c) Farsa, tragédia, ópera, comédia, etc. (teatro)

As formas básicas de ficção diversificam-se em categorias (dependendo da natureza do tema da matéria ficcional): ficção científica, romance policial, novela de aventuras, romance de amor, narrativa satírica, paródia, biografia, romance histórico, etc.


De acordo com essa classificação, a literatura infantil pertence ao gênero ficção, o qual abrange toda e qualquer prosa narrativa literária. A literatura infantil ocupa um lugar específico no âmbito do gênero ficção, pois se destina a um leitor especial, em formação, passando pelo processo de aprendizagem inicial da vida. Daí o caráter pedagógico (conscientizador) que, de maneira latente ou patente, é inerente à sua matéria. E também, ou acima de tudo, a necessidade de ênfase em seu caráter lúdico.

Há formas narrativas que vêm, desde a origem dos tempos, que podem ser consideradas como pertencentes ao gênero da ficção, definidas como FORMAS SIMPLES: fábula, apólogo, parábola, alegoria, mito, lenda, saga, conto maravilhoso, conto de fada, conto exemplar, conto jocoso, etc.

Formas simples são narrativas que há séculos surgiram anonimamente e passaram a circular entre os povos da Antiguidade, transformando-se com o tempo no que hoje conhecemos como tradição popular. Pela simplicidade e autenticidade que singularizam essas narrativas, quase todas elas acabaram assimiladas pela literatura infantil, via tradição popular:

a) Fábula: é a narrativa de uma situação vivida por animais que alude a uma situação humana e tem por objetivo transmitir certa moralidade. Foi a primeira espécie de narrativa a aparecer. Nascida no Oriente, a fábula foi reinventada no Ocidente pelo grego Esopo (séc. VI a.C.) e aperfeiçoada pelo escravo romano Fedro (séc. I a.C.), que a enriqueceu estilisticamente. No séc. XVI foi descoberta e reiventada por Leonardo da Vinci. No séc. XVII, La Fontaine reinventou a fábula introduzindo-a definitivamente na literatura ocidental (sua primeira coletânea de fábulas data de 1668).

b) Apólogo: é a narrativa breve de uma situação vivida por seres inanimados (objetos ou elementos da natureza), que adquirem vida e que aludem a uma situação exemplar para os homens. Os personagens não são símbolos como acontece com as personagens da fábula. Ex.: O Sol e o Vento.

c) Parábola: é a narrativa breve de uma situação vivida por seres humanos (ou por humanos e animais), da qual se deduz, por comparação, um ensinamento moral ou espiritual.

d) Alegoria: é uma narrativa (em prosa ou em verso) que expressa uma ideia através de uma imagem. Há presença de entes sobrenaturais, mitológicos ou lendários.

e) Mito: é uma narrativa antiga que nos fala de deuses, duendes, heróis fabulosos ou de situações em que o sobrenatural domina. Os mitos estão ligados a fenômenos inaugurais: a genealogia dos deuses, a criação do mundo e do homem, a explicação mágica das forças da natureza, etc.

f) Lenda: É uma forma narrativa antiquíssima, geralmente breve (em verso ou prosa), cujo argumento é tirado da tradição. É o relato de acontecimento em que o maravilhoso e o imaginário superam o histórico e o verdadeiro. É transmitida e conservada pela tradição oral. A lenda conserva quatro características do conto popular: antiguidade, persistência, anonimato e oralidade (C. Cascudo). Nosso folclore é rico em lendas como a da Mãe d’Água, da Cobra Grande, Mula-sem-cabeça, Boto, Curupira, etc.

g) Conto Maravilhoso: a forma tem raízes em narrativas orientais, difundidas pelos árabes (como em As Mil e Uma Noites). O núcleo de aventuras é sempre de natureza material/social/sensorial (a busca de riquezas; a satisfação do corpo; a conquista de poder, etc). Exs.: Aladim e a Lâmpada Maravilhosa; Os Músicos de Bremen; O Gato de Botas.

h) Conto de Fada: é de natureza espiritual/ética/existencial. Originou-se entre os celtas, com heróis e heroínas, cujas aventuras estavam ligadas ao sobrenatural, ao mistério do além-vida, visando a realização interior do ser humano. A fada (do latim fatum = destino) pertence à área dos mitos, encarna a possível realização dos sonhos ou ideais inerentes à condição humana.

i) Conto exemplar: é conto de moralidades, que se contava “ao pé do fogo” nos logos serões do inverno europeu. Os exemplos ensinam a Moral sensível e popular, facilmente perceptível no enredo, de fácil fabulação.”

j) Conto jocoso: se originou dos fabliaux (narrativas alegres e por vezes obscenas que circularam com grande sucesso na França medieval e daí para as demais nações). São narrativas breves e centradas no cotidiano. Aproximam-se do que chamamos de “anedota”, porém tinham uma intencionalidade crítica mais aguda.

k) Conto religioso: narram castigos ou prêmios pela mão de Deus ou dos santos, segundo C. Cascudo.

l) Conto etiológico: “foi sugerido e inventado para explicar e dar a razão de ser de um aspecto, propriedade, caráter de qualquer ente natural. Assim há contos para explicar o pescoço longo da girafa, o porquê da cauda dos macacos.” (C. Cascudo)

m) Conto acumulativo: é uma história encadeada, popular e divertida. Pode também se apresentar como um desafio à articulação da fala (trava-línguas).

Dessa narrativa primordial (anônima, sabedoria popular, recolhida por diferentes autores), passando por Hans Christian Andersen (representante do ideário romântico-cristão), temos o que chamamos de literatura infantil clássica. As centenas de contos de Andersen (extraídos do folclore dinamarquês ou inventados por ele) são exemplares da orientação ético-religiosa.

Devido à inexistência da literatura específica para a infância e juventude, começaram a surgir adaptações de romances famosos, que encantavam adultos e os menores. Durante os séculos XVIII e XIX, sinultaneamente à divulgação das coletâneas de Perrault, La Fontaine, Grimm e outras bem populares, surgem livros cultos (não populares) que eram destinados aos adultos, mas acabaram por se transformar em leitura para crianças e jovens. Exemplos: Aventuras de Robinson Crusoé (1719), Vinte Mil Léguas Submarinas (1870), Os Três Mosqueteiros (1844), A Volta ao Mundo em 80 Dias (1873), etc. Obras escritas para crianças: Os Novos Contos de Fadas (1856), Alice no País das Maravilhas (1962), Aventuras de Pinóquio (1881), etc. Todas expressando o estilo racionalista/romântico (preocupa-se com o realismo).

Aqui no Brasil, foi Monteiro Lobato quem abriu caminho para que as inovações que começavam acontecer na literatura "adulta" (com o Modernismo) atingissem também a infantil. Um dos grandes achados de Lobato foi mostrar o maravilhoso como possível de ser vivido por qualquer um, misturando o imaginário com o cotidiano. Sua obra A Menina do Narizinho Arrebitado aparece em 1920, trazendo seus traços marcantes: fluente, coloquial, objetiva, despojada e sem retóricas, agarrando de imediato o pequeno leitor, principalmente pelo humor.

Após a fase inovadora pós-lobatiana, a partir dos anos 60/70, houve uma multiplicidade de caminhos, tendências, estilos que se cruzam na enorme produção literária infantil/juvenil.

"O que define hoje a contemporaneidade de uma literatura é sua intenção de estimular a consciência crítica do leitor; levá-lo a desenvolver sua própria expressividade verbal ou sua criatividade latente; dinamizar sua capacidade de observação e reflexão em face do mundo que o rodeia; e torná-lo consciente da complexa realidade em transformação que é a sociedade, em que ele deve atuar quando chegar a sua vez de participar ativamente do processo em curso." Nelly N. Coelho (2000)

As tendências (ou linhas) da literatura infantil/juvenil contemporânea são:
a) Linha do Realismo cotidiano (desdobrada em Realismo crítico, Realismo lúdico, Realismo humanitário, Realismo histórico ou memorialista, e Realismo mágico);
b) Linha do Maravilhoso (desdobrada em: Maravilhoso metafórico, Maravilhoso satírico, Maravilhoso popular ou folclórico, Maravilhoso fabular, e Maravilhoso Científico);
c) Linha do Enigma ou Intriga Policialesca;
d) Linha da Narrativa por Imagens;
e) Linha dos Jogos Linguísticos.

Referência bibliográfica: Coelho, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000.

Organização Ivanise Meyer®

2 comentários:

CLAUDIA disse...

MARAVILHOSO.
ESTOU CATALOGANDO OS LIVROS DA MINHA SALA DE AULA ,2ºANOFUNDAMENTAL,E QUERIA QUE ELES JA FOSSEM SE APROPIANDO DESSE CONHECIMENTO NATURALMENTE.
FIZ UM PROJETO PARA ESSE TRABALHO MAS NÃO POSSUIA DESSA FORMA COMO VC COLOCOU, ESSA CLASSIFICAÇÃO.
ADOREI,MUITO OBRIGADO E PARABÉNS!

Sheila Pontiles disse...

Sheila
Adorei a explicação,simples, sintética e objetiva....parabéns!!!

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