Baú das Histórias e Poemas é um blog educacional com sugestões de textos que podem ser usados em atividades escolares. Iniciado em 21/04/2010.

3 de fevereiro de 2015

Importância das histórias para a criança

 
"Através da arte de contar histórias, podemos tornar possível a construção da aprendizagem relacionada à competência cognitiva da criança, propiciando elaboração de conceitos, compreendendo sua atitude no mundo, e se identificando com papéis sociais que exercerá ao longo de sua existência.
As histórias devem acontecer dentro de um contexto simples e adequado ao entendimento da criança. São extraordinárias ferramentas para a comunicação de valores, porque dão contexto a fatos abstratos, difíceis de serem transmitidos isoladamente.
O professor como contador de histórias, transforma-se em um mediador privilegiado dentro do contexto da educação quando leva o aluno a pesquisa e a novas produções. A história passa a ser reinventada pela criança através de um desenho, uma pintura, ou mesmo através de uma fala com enfoque pessoal."
Amélia Hamze


2 de fevereiro de 2015

Literatura Infantil - Conceitos Importantes


Literatura Infantil
Conceitos importantes
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Como situar a literatura infantil no quadro conceitual dos gêneros literários? Segundo a classificação proposta por Nelly N. Coelho (2000) temos:

• Gêneros (formas geradoras): poesia, ficção e teatro.

Gênero é a expressão estética de determinada experiência humana de caráter universal: a vivência lírica (o eu mergulhado em suas próprias emoções), cuja expressão essencial é a poesia; a vivência épica (o eu em relação com o outro, com o mundo social), cuja expressão é a prosa, a ficção; e a vivência dramática, cuja expressão básica é o diálogo, a representação, isto é, o teatro.

• Subgêneros (formas básicas):

a) Elegia, soneto, ode, hino, madrigal, etc. (poesia)
b) Conto, romance, novela, literatura infantil (ficção)
c) Farsa, tragédia, ópera, comédia, etc. (teatro)

As formas básicas de ficção diversificam-se em categorias (dependendo da natureza do tema da matéria ficcional): ficção científica, romance policial, novela de aventuras, romance de amor, narrativa satírica, paródia, biografia, romance histórico, etc.


De acordo com essa classificação, a literatura infantil pertence ao gênero ficção, o qual abrange toda e qualquer prosa narrativa literária. A literatura infantil ocupa um lugar específico no âmbito do gênero ficção, pois se destina a um leitor especial, em formação, passando pelo processo de aprendizagem inicial da vida. Daí o caráter pedagógico (conscientizador) que, de maneira latente ou patente, é inerente à sua matéria. E também, ou acima de tudo, a necessidade de ênfase em seu caráter lúdico.

Há formas narrativas que vêm, desde a origem dos tempos, que podem ser consideradas como pertencentes ao gênero da ficção, definidas como FORMAS SIMPLES: fábula, apólogo, parábola, alegoria, mito, lenda, saga, conto maravilhoso, conto de fada, conto exemplar, conto jocoso, etc.

Formas simples são narrativas que há séculos surgiram anonimamente e passaram a circular entre os povos da Antiguidade, transformando-se com o tempo no que hoje conhecemos como tradição popular. Pela simplicidade e autenticidade que singularizam essas narrativas, quase todas elas acabaram assimiladas pela literatura infantil, via tradição popular:

a) Fábula: é a narrativa de uma situação vivida por animais que alude a uma situação humana e tem por objetivo transmitir certa moralidade. Foi a primeira espécie de narrativa a aparecer. Nascida no Oriente, a fábula foi reinventada no Ocidente pelo grego Esopo (séc. VI a.C.) e aperfeiçoada pelo escravo romano Fedro (séc. I a.C.), que a enriqueceu estilisticamente. No séc. XVI foi descoberta e reinventada por Leonardo da Vinci. No séc. XVII, La Fontaine reinventou a fábula introduzindo-a definitivamente na literatura ocidental (sua primeira coletânea de fábulas data de 1668).

b) Apólogo: é a narrativa breve de uma situação vivida por seres inanimados (objetos ou elementos da natureza), que adquirem vida e que aludem a uma situação exemplar para os homens. Os personagens não são símbolos como acontece com as personagens da fábula. Ex.: O Sol e o Vento.

c) Parábola: é a narrativa breve de uma situação vivida por seres humanos (ou por humanos e animais), da qual se deduz, por comparação, um ensinamento moral ou espiritual.

d) Alegoria: é uma narrativa (em prosa ou em verso) que expressa uma ideia através de uma imagem. Há presença de entes sobrenaturais, mitológicos ou lendários.

e) Mito: é uma narrativa antiga que nos fala de deuses, duendes, heróis fabulosos ou de situações em que o sobrenatural domina. Os mitos estão ligados a fenômenos inaugurais: a genealogia dos deuses, a criação do mundo e do homem, a explicação mágica das forças da natureza, etc.

f) Lenda: É uma forma narrativa antiquíssima, geralmente breve (em verso ou prosa), cujo argumento é tirado da tradição. É o relato de acontecimento em que o maravilhoso e o imaginário superam o histórico e o verdadeiro. É transmitida e conservada pela tradição oral. A lenda conserva quatro características do conto popular: antiguidade, persistência, anonimato e oralidade (C. Cascudo). Nosso folclore é rico em lendas como a da Mãe d’Água, da Cobra Grande, Mula-sem-cabeça, Boto, Curupira, etc.

g) Conto Maravilhoso: a forma tem raízes em narrativas orientais, difundidas pelos árabes (como em As Mil e Uma Noites). O núcleo de aventuras é sempre de natureza material/social/sensorial (a busca de riquezas; a satisfação do corpo; a conquista de poder, etc). Exemplos: Aladim e a Lâmpada Maravilhosa.

h) Conto de Fada: é de natureza espiritual/ética/existencial. Originou-se entre os celtas, com heróis e heroínas, cujas aventuras estavam ligadas ao sobrenatural, ao mistério do além-vida, visando a realização interior do ser humano. A fada (do latim fatum = destino) pertence à área dos mitos, encarna a possível realização dos sonhos ou ideais inerentes à condição humana.

i) Conto exemplar: é conto de moralidades, que se contava “ao pé do fogo” nos logos serões do inverno europeu. Os exemplos ensinam a Moral sensível e popular, facilmente perceptível no enredo, de fácil fabulação.”

j) Conto jocoso: se originou dos fabliaux (narrativas alegres e por vezes obscenas que circularam com grande sucesso na França medieval e daí para as demais nações). São narrativas breves e centradas no cotidiano. Aproximam-se do que chamamos de “anedota”, porém tinham uma intencionalidade crítica mais aguda.

k) Conto religioso: narram castigos ou prêmios pela mão de Deus ou dos santos, segundo C. Cascudo.

l) Conto etiológico: “foi sugerido e inventado para explicar e dar a razão de ser de um aspecto, propriedade, caráter de qualquer ente natural. Assim há contos para explicar o pescoço longo da girafa, o porquê da cauda dos macacos.” (C. Cascudo)

m) Conto acumulativo: é uma história encadeada, popular e divertida. Pode também se apresentar como um desafio à articulação da fala (trava-línguas).

Dessa narrativa primordial (anônima, sabedoria popular, recolhida por diferentes autores), passando por Hans Christian Andersen (representante do ideário romântico-cristão), temos o que chamamos de literatura infantil clássica. As centenas de contos de Andersen (extraídos do folclore dinamarquês ou inventados por ele) são exemplares da orientação ético-religiosa.

Devido à inexistência da literatura específica para a infância e juventude, começaram a surgir adaptações de romances famosos, que encantavam adultos e os menores. Durante os séculos XVIII e XIX, simultaneamente à divulgação das coletâneas de Perrault, La Fontaine, Grimm e outras bem populares, surgem livros cultos (não populares) que eram destinados aos adultos, mas acabaram por se transformar em leitura para crianças e jovens. Exemplos: Aventuras de Robinson Crusoé (1719), Vinte Mil Léguas Submarinas (1870), Os Três Mosqueteiros (1844), A Volta ao Mundo em 80 Dias (1873), etc. Obras escritas para crianças: Os Novos Contos de Fadas (1856), Alice no País das Maravilhas (1962), Aventuras de Pinóquio (1881), etc. Todas expressando o estilo racionalista/romântico (preocupa-se com o realismo).

Aqui no Brasil, foi Monteiro Lobato quem abriu caminho para que as inovações que começavam acontecer na literatura "adulta" (com o Modernismo) atingissem também a infantil. Um dos grandes achados de Lobato foi mostrar o maravilhoso como possível de ser vivido por qualquer um, misturando o imaginário com o cotidiano. Sua obra A Menina do Narizinho Arrebitado aparece em 1920, trazendo seus traços marcantes: fluente, coloquial, objetiva, despojada e sem retóricas, agarrando de imediato o pequeno leitor, principalmente pelo humor.

Após a fase inovadora pós-lobatiana, a partir dos anos 60/70, houve uma multiplicidade de caminhos, tendências, estilos que se cruzam na enorme produção literária infantil/juvenil.

"O que define hoje a contemporaneidade de uma literatura é sua intenção de estimular a consciência crítica do leitor; levá-lo a desenvolver sua própria expressividade verbal ou sua criatividade latente; dinamizar sua capacidade de observação e reflexão em face do mundo que o rodeia; e torná-lo consciente da complexa realidade em transformação que é a sociedade, em que ele deve atuar quando chegar a sua vez de participar ativamente do processo em curso." Nelly N. Coelho (2000)

As tendências (ou linhas) da literatura infantil/juvenil contemporânea são:
a) Linha do Realismo cotidiano (desdobrada em Realismo crítico, Realismo lúdico, Realismo humanitário, Realismo histórico ou memorialista, e Realismo mágico);
b) Linha do Maravilhoso (desdobrada em: Maravilhoso metafórico, Maravilhoso satírico, Maravilhoso popular ou folclórico, Maravilhoso fabular, e Maravilhoso Científico);
c) Linha do Enigma ou Intriga Policialesca;
d) Linha da Narrativa por Imagens;
e) Linha dos Jogos Linguísticos.

Referência bibliográfica: Coelho, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000.

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