Baú das Histórias e Poemas é um blog educacional com sugestões de textos que podem ser usados em atividades escolares. Iniciado em 21/04/2010.

29 de maio de 2010

Conto: versões de "Cinderela"

Bicho de Palha
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Contam que um homem muito rico enviuvou e casou novamente, tendo uma filha, Maria, que se punha mocinha e que era linda. A madrasta antipatizou logo com a enteada e se tomou de ódio quando teve uma filha e esta era relativamente feia, comparada com Maria.

O homem possuía propriedades espalhadas e vivia viajando, dirigindo seus negócios. Durava pouco tempo em casa e nesses momentos, Maria passava melhor. Na ausência do pai a madrasta obrigava-a aos serviços mais rudes e pesados, alimentando-a do que havia de pior e em quantidades insignificantes.

A vida ficou insuportável para a moça que se consolava rezando e chorando. No caminho do rio onde ia lavar roupa, encontrava sempre uma velhinha de feições serenas e muito boa. Maria acabou contando seus sofrimentos e o silêncio para não magoar o pai. A velhinha animava-a com palavras cheias de doçura. Como a madrasta fosse se tornando mais violenta e brutal, a enteada resolveu abandonar a casa e ir procurar trabalho longe daquele inferno. Encontrou-se com a velhinha e confessando sua idéia, a velha concordou, aconselhou-a muito, deu-lhe a bênção e na despedida, tirou uma varinha pequenina e branca como prata, dizendo:

– Leva esta varinha, Maria, e quando estiveres em perigo, desejo ou sofrimento, deves dizer: "minha varinha de condão, pelo condão que Deus te deu, dai-me". E tudo sucederá como pedires.

Maria agradeceu muito e fugiu. Antes, obedecendo ao conselho da velha, fez uma grande capa de palha entrançada com um capuz onde havia passagem para olhar, e meteu-se dentro.

Depois de muito andar, chegou a uma cidade importante. Pediu emprego num palácio e lhe disseram não haver mais lugar. Ia saindo, triste e com fome, quando um empregado lembrou que precisavam de alguém para lavar as salas, corredores e escadas e limpar os aposentos da criadagem. Maria aceitou o encargo e, graças ao seu vestido singular, só a chamavam "Bicho de Palha". Suja, silenciosa, retirada pelos cantos, trabalhando sempre, Bicho de Palha não incomodava ninguém e todos a toleravam.

O palácio era de um príncipe moço, bem feito e airoso, que ainda tinha mãe, e estava na idade de casar. Noutro palácio, no lado oposto da cidade, realizariam festas durante três dias. As moças estavam alvoraçadas com os bailes, assistidos pelos rapazes da sociedade. No palácio a conversa versava sobre os bailes. Amas, visitantes e criadas comentavam a organização e o esplendor das três noites elegantes.

Finalmente chegou a primeira noite. Bicho de Palha, através dos orifícios de sua máscara, olhava o príncipe e o amava sinceramente. Rondava, discretamente, por perto dele, ansiando por uma ordem. Já de tarde, não havendo outra empregada por ali, o príncipe gritou:

– Bicho de Palha! Traga uma bacia com água...

Bicho de Palha levou a bacia e o príncipe lavou o rosto. Depois, todos foram para o baile, uns para dançar e outros para ver. Ficando sozinha no seu quarto escuro, Bicho de Palha despiu a capa, pegou a varinha e comandou, como a velhinha lhe ensinara:

– Minha varinha de condão! Pelo condão que Deus te deu, dai-me uma carruagem de prata e um vestido da cor do campo com todas as suas flores.

Palavras ditas, apareceu a carruagem de prata, cocheiros e servos, um vestido completo, do diadema aos sapatinhos cor do campo com todas as suas flores.

Bicho de Palha vestiu-se, tomou a carruagem e foi para o baile onde causou sensação. O príncipe veio imediatamente saudá-la e só dançou com ela, não permitindo que os outros moços se aproximassem. Confessou que estava impressionado e perguntou onde ela residia. Bicho de Palha ensinou:

– Moro na Rua das Bacias...

À meia-noite em ponto, pretextando ir respirar o ar livre, a moça correu para sua carruagem que desapareceu na estrada. O príncipe ficou inconsolável e saiu da festa logo a seguir.

No outro dia, no palácio, as criadas contavam ao Bicho de Palha as peripécias do baile e a princesa misteriosa que fora a roupa mais bela e o rosto mais formoso da noite. O príncipe despachara muitos criados para procurar a Rua das Bacias, mas todos regressaram sem saber informar.

Nessa tarde, o príncipe pediu a Bicho de Palha uma toalha. Quando todos partiram para a festa, Bicho de Palha pegou a varinha e obteve uma carruagem de ouro e um vestido da cor do mar com todos os seus peixes. Vestiu-se e foi para o palácio do baile. Logo na entrada, toda a gente a reconheceu e aclamou-a como a mais elegante, graciosa e simpática. O príncipe não saía de perto dela, conversando, dançando, fazendo mil perguntas. Insistiu pelo endereço da moça.

– Não moro mais na Rua das Bacias e sim na rua das Toalhas. Mudei-me hoje. Aconteceu como na primeira noite. Bicho de Palha inventou uma desculpa e meteu-se na carruagem que correu relâmpago. O príncipe saiu também e passou o outro dia suspirando e mandando procurar, em toda a cidade, a tal Rua das Toalhas.

Bicho de Palha ouviu as impressões entusiásticas dos empregados na cozinha, todos contando a paixão do príncipe e a beleza da moça.

Na tarde desse dia o príncipe pediu a Bicho de Palha um pente. Vendo-se sozinha no palácio, Bicho de Palha invocou o poder da varinha de condão e recebeu uma carruagem de diamantes e um vestido da cor do céu com todas as suas estrelas.

Entrando no salão do baile, Bicho de Palha recebeu as saudações como se fora uma rainha. Ninguém jamais vira moça tão atraente e um vestido tão raro. O príncipe andava atrás dela como uma sombra, servindo-a e perguntando tudo, doido de amor. Bicho de Palha disse que se havia mudado para a Rua dos Pentes, definitivamente. E dançaram muito.

Perto da meia-noite, sabendo que era a hora em que moça desaparecia como se fosse encantada, o príncipe chamou seus criados e mandou abrir uma escavação junto do portão do palácio, esperando que a carruagem parasse. Tal, porém, não se deu, Bicho de Palha saltou para a carruagem e esta disparou como um raio, pulando o fosso, mas, o solavanco fora tão brusco que um sapato de Bicho de Palha, atirado fora da portinhola, perdeu-se. Um criado achou-o e levou-o ao príncipe, que ficou satisfeitíssimo.

Debalde procuraram na cidade a tal Rua dos Pentes. O príncipe deliberou encontrar a moça por outra maneira. Mandou levar o sapatinho a todas as casas, calçando-o em todos os pés. Quem o usasse perfeito, nem largo, nem apertado, seria a encantadora menina dos bailes.

Os criados andaram rua acima e rua abaixo, calçando sapatinho nos pés das moças e das velhas. Nenhuma conseguia dar um só passo com ele no pé. Voltaram os criados para o palácio e experimentaram calçar os chapins nas empregadas e amas. Nada. Finalmente uma criada encarregada lembrou que Bicho de Palha não fora convidada para calçar o mimoso calçado.

Riram todos, mas, para que o príncipe não os acusasse de ter deixado alguém de calçar o sapatinho, mandaram buscar Bicho de Palha, como motivo de riso, e lhe disseram que experimentasse. Bicho de Palha com a. varinha na mão, pediu que lhe aparecesse no corpo, por baixo da capa de palha, o vestido da terceira noite da festa.

O príncipe veio assistir, Bicho de Palha, cercada pela criadagem que ria, meteu o pé no sapatinho e este lhe coube perfeitamente. Depois estirou o outro pé e todos viram que calçava sapatinho igual ao primeiro. Mal podiam crer no que viram, quando caiu a palha e apareceu a moça formosa dos três bailes, com o vestido da cor do céu com todas as estrelas, o diadema com a lua de brilhantes, tudo rebrilhando como as próprias estrelas do firmamento. O príncipe precipitou-se abraçando-a e chamando por sua mãe para que conhecesse a futura nora.

Casaram logo. Bicho de Palha contou sua história, e a varinha de condão, cumprida a vontade da velhinha, que era Nossa Senhora, desapareceu, deixando-os muito felizes na terra.

(Ribeiro, José. Brasil no folclore. 3ª ed. revista e ampliada. Rio de Janeiro, Editora Aurora, sd, p.83-87)

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O Barba de ouro e a Carantonha
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Havia um rei que tinha uma bonita barba de ouro. E um dia ele foi chamado ao quarto da rainha para ver a criança que acabava de nascer. Mas esse barba de ouro era encantado e mau. Assim que viu o lindo menininho, pegou e foi comendo-o à vista de todos.

A rainha, quando de novo estava esperando outra criança, combinou com a comadre para lograrem o rei. Arranjaram um coelhinho. Chamaram o barba de ouro e lhe apresentaram o filho. Ah! O rei comeu o coelhinho e gostou.

A comadre levou a criança, que era uma menina, para criar por uns camponeses a um outro reinado. A menina foi crescendo, crescendo. Os pais adotivos eram pobres, não sabiam o que fazer com ela. E já estava em ponto de casar.

Então mataram uma ovelha, tiraram-lhe a pele e vestiram com ela a mocinha, que ficou que nem um bicho. A madrinha, que era uma fada, pôs-lhe no dedo um anel que era para ela pedir o que precisasse. E subiram as água-furtadas da casa, despediram-se da moça e, dizendo-lhe que se fosse com Deus, pelo mundo, empurraram-na da janela.

Aquela coisa foi, foi, ao leu do vento e, enfim, caiu na floresta. O bicho ficou por ali, quieto. Ouvia as cornetas: tu, tu, ru, tu, e latidos dos cães. O rei estava à caça. E então apareceram os caçadores e já levavam a arma à cara, quando o rei ordenou: não atirem!

O rei desse reinado era moço e curioso. Achou esquisito aquele bicho que falava como gente. Levou-o para a cozinha do palácio e pôs-lhe o nome de Carantonha.

A Carantonha assistia às festas de longe.

Uma ocasião ouviu contar, na cozinha, de três grandes bailes que o rei ia dar em seguida, para escolher a sua noiva.

Em todo o reinado, era um reboliço fora dos costume e costureiras e alfaiates não tinham mãos a medir. As moças queriam ser princesas.

O rei gostava de ver sempre a Carantonha, que lhe prestava serviços, muito humilde.

Carantonha segurava a bacia de prata para o rei lavar as mãos.

– Vossa majestade me deixa ir na festa?

- Tu, Carantonha?

O rei falou assim e borrifou o rosto dela, brincando. O que é que ela ia lá fazer? Carantonha saiu chorando para o seu cantinho da cozinha. Só então é que se lembrou do anel. Esfregou-o e disse:

- Anel, pelo poder que Deus te deu, quero que me arranjes um vestido cor da terra e uns chapins muito bonitos! – Imediatamente Carantonha viu-se transformada naquela princesa mais bonita e procurou as salas de baile sem que ninguém percebesse. Opa! Foi um sucesso! O rei dançou com ela e quase só com ela. Perguntou-lhe donde era e Carantonha respondeu: - Eu sou da terra dos borrifos de água. E tratou de sair despercebida, para a cozinha, vestindo de novo a pele de ovelha.

No outro dia a criadagem não falava de outra coisa: da nova princesa que aparecera e ninguém sabia de que reinado era.

Quando ela foi apresentar a toalha ao rei, pediu-lhe licença para ir ao baile. O rei atirou-lhe a toalha: - Tu, Carantonha?

Lá foi a moça para o seu cantinho da cozinha, esfregou o anel, e:

- Hoje quero um vestido cor de céu. E já estava como uma princesa. E foi entrando com jeito no salão. Opa! Que sucesso! O rei dançou com ela até a madrugada. Perguntou-lhe donde era. – Eu? Eu sou da terra do joga a toalha. E tratou de escapulir-se.

No terceiro dia, enquanto o rei lavava as mãos depois do jantar, Carantonha pediu-lhe outra vez a licença para ir ao baile.

– Tu, Carantonha? E o rei deu-lhe um tapinha na cara, brincando.

A moça pediu ao anel o vestido cor do mar, muito mais lindo que os outros. E entrou no salão. Já o rei foi recebê-la e dançaram, dançaram.

– Donde és, bela princesa? Quero casar-me contigo, disse-lhe o rei.

– Eu? Eu sou da terra do leva um tapa.

Mais tarde a Carantonha escapou e foi vestir sua pele na cozinha.

Estava acabando o baile. O rei resolveu descobrir o enigma. A princesa acabava de desaparecer. Devia estar ainda no palácio. O rei mandou a polícia ocupar todas as saídas e quando as moças iam saindo examinava uma por uma a ver-lhe o vestido cor do mar e as feições do rosto, que muito bem lembrava. Nada! Ninguém! Examinou depois as camareiras do palácio. Carantonha pediu ao anel o mesmo vestido cor do mar, cobriu-se com a pele e ficou esperando. O rei estava certo que ninguém saíra. E então só faltava examinar a Carantonha. Ele já andava desconfiado. Por isso chegou de repente, puxou a espada e rasgou-lhe um pedaço da pele. Apareceu o vestido – Ah! É assim? – disse o rei, riscou a pele de alto a baixo e Carantonha apareceu se rindo, nos modos e no porte de uma princesa.

Os cortesãos estavam admirados! Que coisa!

Mas o rei, meio carrancudo, interpelou a moça.

– Tu estavas zombando de mim? Olha, que eu não sou para brincadeiras. Porque é que me dissestes que era da terra dos borrifos de água?

- Ué! Então vossa majestade não se lembra mais que quando pedi para ir ao baile da primeira noite me esborrifou a água no meu rosto?

- Ah! Tens razão. E porque na segunda noite disseste seres da terra do joga a toalha?

- Porque vossa majestade, quando pedi para ir ao baile, me jogou a toalha.

– Ah! É verdade. E na terceira noite tu erra da terra leva um tapa.

– Pois sim! Vossa majestade, quando lhe pedi para ir ao baile, me deu um tapa, brincando.

Em seguida, o rei apresentou a noiva aos cortesãos e convidados, marcou-se o dia das bodas. À hora do banquete, a nova rainha, como era costume, contou uma história. A história dela, a sua infância escondida, a caçada real, a madrinha boa fada. O barba de ouro era falecido, e a rainha mãe dela. Os pais adotivos vieram morar no palácio. Parece que ainda existem, arcadinhos, arcadinhos, mas contentes da vida!
* * *
Contou Luís Maria Ferreira, que lhe contou uma tia de seu pai lá por 1880, na Ilha da Madeira. Variante da conhecida Pele de burro com a Maria Borralheira, mais a interposição de um elemento novo, o barba de ouro, para explicar o motivo da transmutação, deixadas em paz as pobres madastras.

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A Gata Borralheira
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Versão dos Irmãos Grimm
Era uma vez um homem muito rico, cuja mulher adoeceu. Esta, quando sentiu o fim aproximar-se, chamou a sua única filha à cabeceira e disse-lhe com muito amor:

- Querida filha, continua sempre boa e piedosa. O amor de Deus há-de acompanhar-te sempre e eu lá do céu velarei sempre por ti.

E dito isto, fechou os olhos e morreu. A menina ia todos os dias para junto do túmulo da mãe chorar e continuou boa e piedosa.

Quando o Inverno chegou, a neve fria e gelada cobriu o túmulo com um manto branco e, quando o sol da Primavera o derreteu, o seu pai casou com uma mulher ambiciosa e cruel que tinha duas filhas parecidas com ela em tudo.

Mal se cruzou com elas, a pobre órfã percebeu que nada de bom podia esperar delas, pois logo que a viram disseram-lhe com desprezo:

- O que é que esta faz aqui? Vai para a cozinha, que é lá o teu lugar!

E a madrasta acrescentou:

- Têm razão, filhas. Ela será nossa criada e terá que ganhar o pão com o seu trabalho diário.

Tiraram-lhe os seus lindos vestidos, vestiram-lhe um vestido muito velho e deram-lhe tamancos de madeira para calçar.

- E agora para a cozinha! - disseram elas a rir.

E, a partir desse dia, a menina passou a trabalhar arduamente, desde que o sol nascia até altas horas da noite: ia buscar água ao poço, acendia o lume, cozinhava, lavava a roupa, costurava, esfregava o chão...

À noite, extenuada de trabalho, não tinha uma cama para descansar. Deitava-se perto da lareira, junto ao borralho. Por isso lhe puseram o nome de Gata Borralheira.

Os dias passavam e a sorte da menina não se alterava. Pelo contrário, as exigências da madrasta e das suas filhas eram cada vez maiores.

Um dia, o pai ia a sair para a feira e perguntou às duas enteadas o que queriam que ele lhes trouxesse.

- Lindos vestidos - disse uma.

- Jóias - disse a outra.

- E tu, Gata Borralheira, o que queres? - perguntou-lhe o pai.

- Um ramo verde da primeira árvore que encontrares no caminho de regresso.

Terminada a feira, ele comprou os vestidos para as enteadas e as jóias que tinham pedido e no caminho de regresso cortou para a filha um ramo da primeira árvore que encontrou.

Ao chegar a casa, deu às enteadas o que lhe tinham pedido e entregou à filha o galho de avelaneira. Ela correu para junto do túmulo da mãe, enterrou o ramo na terra e chorou tanto que as lágrimas o regaram. Começou a crescer e tornou-se uma bela árvore.

A menina continuou a visitar o túmulo da mãe todos os dias e certa vez ouviu uma bonita pomba branca dizer-lhe:

- Não chores mais, minha querida. Lembra-te que, a partir de agora, cumprirei todos os teus desejos.

Pouco depois o rei anunciou a todo o reino que ia dar uma festa durante três dias para a qual estavam convidadas todas as jovens casadoiras para que o príncipe herdeiro pudesse escolher a sua futura esposa.

Imediatamente as duas filhas da madrasta chamaram a Gata Borralheira e disseram-lhe:

- Penteia-nos e veste-nos, pois temos que ir ao baile do príncipe para que ele possa escolher qual de nós as duas será a sua esposa.

A Gata Borralheira obedeceu humildemente. Mas quando viu as duas luxuosamente vestidas, desatou a chorar e suplicou à madrasta que também a deixasse ir ao baile.

- Ao baile, tu? - respondeu ela - Já te olhaste ao espelho?

Face à sua insistência, acrescentou ao mesmo tempo que deitava um pote de lentilhas para as cinzas:

- Está bem! Se separares as lentilhas em duas horas, irás conosco.

A rapariga saiu para o jardim a chorar e lembrando-se do que a pomba lhe tinha dito, expressou o seu primeiro desejo:


- Dóceis pombinhos, rolinhas e todos os passarinhos do céu, venham ajudar-me a escolher as lentilhas.

- Os grãos bons no prato, e os maus no papo.

Duas pombas brancas, seguidas de duas rolinhas e de uma nuvem de passarinhos entraram pela janela da cozinha, e começaram a bicar as lentilhas. E muito antes de terminarem as duas horas, separaram as lentilhas.

Entusiasmada, a menina foi mostrar o prato com as lentilhas escolhidas à madrasta.

- Muito bem. - disse ela, com ironia - Mas que vestido vais usar? E além disso, tu não sabes, dançar. Será melhor ficares em casa.

Desconsolada, a Gata Borralheira começou a chorar, ajoelhou-se aos pés da madrasta e voltou a suplicar-lhe que a deixasse ir ao baile.

- Está bem. - disse ela com cinismo - Dou-te outra oportunidade.

E voltou a espalhar dois potes de lentilhas sobre as cinzas.

- Se conseguires escolher as lentilhas numa hora, irás ao baile.

A rapariga saiu a correr para o jardim e gritou:

- Dóceis pombinhos, rolinhas e todos os passarinhos do céu, venham ajudar-me a separar as lentilhas.

- Os grãos bons no prato, e os maus no papo.

De novo, duas pombas brancas entraram pela janela da cozinha, depois as pequenas rolas e um bando de passarinhos, e bic-bic-bic escolheram-nas e voaram para sair por onde entraram.

A menina foi logo a correr mostrar à madrasta as lentilhas escolhidas, mas de nada lhe serviu.

- Deixa-me em paz com as tuas lentilhas! Ficas em casa e pronto!

Virou-lhe as costas e chamou as filhas.

Quando já não havia ninguém em casa, a Gata Borralheira foi junto ao túmulo da mãe, debaixo da avelaneira, e gritou:

- Árvorezinha. Toca a abanar e a sacudir. Atira ouro e prata para me vestir.

A pomba que lhe tinha oferecido ajuda, apareceu sobre um ramo e, estendendo as asas, transformou os seus farrapos num lindíssimo vestido de baile e as suas socas em luxuosos sapatos bordados a ouro e prata.

Quando entrou no salão de baile, todos os presentes se admiraram perante tamanha beleza. Mas as mais surpreendidas foram as duas filhas da madrasta que estavam convencidas que seriam as mais belas da festa. Nem elas, nem a madrasta ou o pai a reconheceram.

O príncipe ficou fascinado ao vê-la. Tomou-a pela mão e os dois abriram o baile.

Durante toda a noite esteve ao seu lado e não permitiu que mais ninguém dançasse com ela.

Chegado o momento de se despedirem, o príncipe ofereceu-se para a acompanhar, pois ardia de desejo por saber quem era aquela jovem. Mas ela deu uma desculpa para se retirar por momentos e aproveitou para abandonar o palácio a correr e deixar em baixo de uma árvore o seu formoso vestido e os sapatos.

A pomba, que estava à sua espera, pegou neles com as suas patinhas e desapareceu na escuridão da noite. Ela vestiu o vestido cinzento, o avental e as socas e, como de costume, deitou-se junto à chaminé.

No dia seguinte, quando se aproximou a hora do início do segundo baile, esperou até ouvir partir a carruagem e correu para junto da árvore:

- Árvorezinha. Toca a abanar e a sacudir. Atira ouro e prata para me vestir.

E de novo apareceu a pomba e a vestiu com um vestido ainda mais lindo que o da noite anterior e calçou-lhe uns sapatos que pareciam de ouro puro.

A sua aparição no palácio causou maior sensação ainda do que da primeira vez. O próprio príncipe, que a esperava impaciente, sentiu-se ainda mais deslumbrado. Pegou-lhe na mão e, de novo, dançou com ela toda a noite.

Ao chegar a hora da despedida, o príncipe voltou a oferecer-se para acompanhá-la, mas ela insistiu que preferia voltar sozinha para casa. Mas desta vez o príncipe seguiu-a. De repente, parecia que tinha sido engolida pelo chão. Em vez de entrar em casa, a jovem tinha-se escondido em cima de uma frondosa pereira que havia no jardim.

O príncipe continuou a procurá-la pelas redondezas, até que decepcionado regressou ao palácio.

A Gata Borralheira abandonou então o seu esconderijo, e quando a madrasta e as filhas chegaram ela já tinha tirado as vestes faustosas e posto os seus trapos velhos.

No terceiro dia, quando o pai fustigou o cavalo e a carruagem se afastou com a sua a esposa e filhas, a menina aproximou-se de novo da árvore e disse:

- Árvorezinha. Toca a abanar e a sacudir. Atira ouro e prata para me vestir.

E a pomba, uma vez mais, trouxe-lhe um vestido de sonho, de tule com aplicações de sumptuoso brocado e uns sapatos bordados a ouro para os seus pequeninos e delicados pés. E depois, colocou-lhe sobre os ombros uma capa de veludo dourado.

Quando entrou no salão de baile, a belíssima Gata Borralheira foi recebida com uma exclamação de assombro por parte de todos os presentes.

O príncipe apressou-se a beijar-lhe a mão e a abrir o baile, não se separando dela toda a noite.

Pouco antes da meia-noite, a jovem despediu-se do príncipe e saiu a correr. O príncipe não conseguiu alcançá-la mas encontrou na escadaria uns sapatinhos dourados que ela tinha perdido durante a sua precipitada fuga. Apanhou-o e apertou-o contra o coração.

Na manhã seguinte, mandou os seus mensageiros difundirem por todo o reino que se casaria com aquela que conseguisse calçar o precioso sapato.

Depois de todas as princesas, duquesas e condessas o terem inutilmente experimentado, ordenou aos seus emissários que o sapato fosse provado por todas as jovens, qualquer que fosse a sua condição.

Quando chegaram à casa onde vivia a Gata Borralheira, a irmã mais velha insistiu que devia ser ela a primeira a experimentar e, acompanhada pela mãe que já a imaginava rainha, subiu ao quarto, convencida que lhe servia. Mas o seu pé era demasiado grande. Então a mãe, furiosa, obrigou-a a calçá-lo à força, dizendo-lhe:

- Embora te aperte agora, não te preocupes. Pensa que em breve serás rainha e não terás que andar a pé nunca mais.

A jovem disfarçou a dor que sentia e subiu para a carruagem, apresentando-se diante do filho do rei.

Embora ele tenha dado conta de imediato que aquela não era a bela desconhecida que conhecera no baile, teve que considerá-la como sua prometida. Montou-a no seu cavalo e foram juntos dar um passeio. Mas, ao passar diante de uma frondosa árvore, viu sobre os seus ramos duas pombas brancas que o advertiram:

- Olha para o pé da donzela, e verás que o sapato não é dela.

O príncipe desmontou e tirou-lhe o sapato. E ao ver como o pé estava inchado, percebeu que tinha sido enganado. Voltou à casa e ordenou que a outra irmã experimentasse o sapato.

A irmã mais nova subiu ao quarto, acompanhada da mãe, e tentou calçá-lo. Mas o seu pé também era demasiado grande.

E a mãe obrigou-a a calçá-lo à força, dizendo-lhe:

- Embora te aperte agora, não te preocupes. Pensa que em breve serás rainha e não terás que andar a pé nunca mais.

A filha obedeceu, enfiou o pé no sapato e, dissimulando a dor, apresentou-se ao príncipe que, apesar de ver que ela não era a bela desconhecida do baile, teve que considerá-la como sua prometida. Montou-a no seu cavalo e levou-a a passear pelo mesmo sítio onde levara a sua irmã. Ao passar diante da árvore onde estavam as duas pombas, ouviu-as de novo adverti-lo:

- Olha para o pé da donzela, e verás que o sapato não é dela.

O príncipe tirou-lhe o sapato e ao ver que tinha o pé ainda mais inchado que a irmã, percebeu que também ela o tinha enganado.

- Aqui vos trago esta impostora. E dai graças a Deus por não ordenar que sejam castigadas. Mas se ainda tendes outra filha, estou disposto a dar-vos nova oportunidade e eu mesmo lhe calçarei o sapato.

- Não. Não temos mais filhas - disse a madrasta.

Mas o pai acrescentou:

- Bem, a verdade é que tenho uma filha do meu primeiro casamento que vive connosco. É ela que faz a limpeza da casa e por isso anda sempre suja. É a Gata Borralheira.

- As minhas ordens dizem que todas as jovens sem excepção devem experimentar o sapato. Tragam-na pois à minha presença. Eu mesmo lho calçarei.

A Gata Borralheira tirou uma das pesadas socas e calçou o sapato sem o menor esforço.

O príncipe, maravilhado, olhou bem para ela e reconheceu a formosa donzela com quem tinha dançado.

- A minha amada desconhecida! - exclamou ele - Só tu serás minha dona e senhora.

O príncipe, radiante de felicidade, sentou-a ao seu lado no cavalo e tomou o mesmo caminho por onde tinha ido com as duas impostoras. Pouco depois, ao aproximar-se da árvore onde estavam as pombas, ouviu-as dizer:

- Continua, Príncipe a tua cavalgada, pois a dona do sapato está encontrada

As pombas pousaram sobre os ombros da jovem e os seus farrapos transformaram-se no deslumbrante vestido que ela tinha levado ao último baile.

Chegaram ao palácio e de imediato foi celebrado o casamento. Quando os habitantes do reino souberam da forma como o pai, a madrasta e as duas filhas tinham tratado aquela que agora era a sua adorada princesa, começaram a desprezá-los de tal modo que eles tiveram que abandonar o país.

A princesa, fiel à promessa feita à mãe, continuou a ser piedosa e bondosa como sempre e continuou a visitar o seu túmulo e a rezar debaixo da árvore, testemunha de tantas dores e alegrias.

Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/cinema/dossier/cinderela/gata_borralheira_texto.htm

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Cinderela
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Versão de Walt Disney
A jovem Cinderela cresceu no campo, com o seu pai. Durante o dia montava a cavalo e à noite ouvia histórias fantásticas sobre magia e castelos. O seu pai gostava muito dela, mas sentia-se sozinho.

Numa Primavera, casou-se com Lady Tremaine. Cinderela ficou contente com a vinda dela e das filhas, Drizela e Anastácia. Elas, no entanto, não gostavam nada de Cinderela, apesar dela fazer tudo para lhes agradar.

Quando o pai morreu, a Madrasta obrigou-a a ser sua criada. Acordava de madrugada e trabalhava até à noite. Esfregava o chão, cozinhava e servia a família.

As tarefas eram muito duras e, todos os dias, Cinderela sonhava por uma vida melhor, para ser feliz outra vez.

Os animais da casa tornaram-se os seus amigos. Gus e João, dois ratinhos atrevidos, eram os seus companheiros permanentes.

Um dia, estava Cinderela a esfregar o chão quando ouviu baterem à porta. Encostou a vassoura e desceu as escadas para ver quem era.

Quando estava a abrir a porta ouviu uma voz:

- Abram em nome do Rei!

Abriu a porta e viu um mensageiro do palácio. Entregou-lhe uma carta.

Era do Rei!

A carta continha um convite para um baile! O Rei queria apresentar o filho às meninas do reino e tinha convidado todas para um grande baile.

Cinderela estava ansiosa por conhecer o Príncipe. Lembrava-se das histórias do seu pai e ficou a sonhar com o vestido que iria vestir no baile. Ia ser tão divertido!

Correu à sala para mostrar o convite à sua Madrasta. Drizela e Anastácia arrancaram-lhe o convite da mão e começaram a gritar:

- Tu não podes ir!

- O convite é para todas as meninas. - lembrou Cinderela.

- Não vejo razão para não ires - disse a Madrasta - se fizeres todos os trabalhos e conseguires arranjar alguma coisa decente para vestir...

Cinderela nem acreditou que a Madrasta a deixava ir ao baile!...

- Muito obrigada! - respondeu, feliz.

Estava tão entusiasmada com o baile que foi a correr para o seu quarto. Tirou da arca o único vestido de festa que tinha - um velho que pertencera à sua mãe.

Era cor-de-rosa com folhos brancos nas mangas. Gus e João disseram que o vestido estava fora de moda. Mas Cinderela achou que bastavam umas pequenas modificações para ficar perfeito.

Ficou logo a pensar na sua vida de princesa. Nunca mais teria de usar trapos: teria um vestido para cada ocasião. Mal podia esperar por entrar no palácio! O seu pai tinha-lhe contado que era muito bonito. Talvez conhecesse alguém no baile - e talvez se apaixonasse!

As suas irmãs interromperam o seu sonho.

- Cinderela! Cinderela! - gritaram.

O vestido e os sonhos teriam de esperar.

Passou o dia a escovar o cabelo embaraçado de Drizela, a limpar o estábulo, a fazer a bainha do vestido de Anastácia. Quando terminou todas as tarefas, já não havia tempo para trabalhar no seu vestido. Subiu para o seu quarto muito triste.

Para seu espanto, João e Gus e os outros animais tinham usado a bijutaria e as faixas que as suas irmãs tinham deitado fora e tinham-nas aproveitado para enfeitar o vestido. Estava lindo, com uma faixa branca e laços a condizer. Até tinham feito um colar de contas para o pescoço!

Agradeceu aos seus amigos e vestiu-se depressa. Estava pronta mesmo a tempo de sair com a sua Madrasta e as suas irmãs.

A Madrasta olhou para a Cinderela com frieza, que ficou muito assustada. A Drizela apontou para o seu colar e perguntou:

- Essas contas não são minhas?

- E essa faixa é minha! - gritou a Anastácia, zangada.

E imediatamente lançaram-se sobre o seu vestido e começaram a rasgá-lo. A Madrasta sorria. Encaminharam-se as três para a saída e fecharam a porta com força.

Ficou sozinha. Os seus sonhos... morreram.

Correu para fora de casa, para o cantinho do jardim onde costumava brincar em criança. Atirou-se para o banco de pedra, a chorar na almofada que pertencera ao seu pai.

"Já não acredito em mais nada", pensou.

Os seus amigos animais cercaram-na para a consolar, mas ela não parava de chorar.

De repente, viu umas luzinhas descerem… pareciam pirilampos! Quando olhou para cima tinham-se juntado e aparecera a forma brilhante de uma mulher com um olhar terno.

Abraçou-a e apresentou-se. Era a sua Fada-Madrinha!

- O que tens? - disse docemente - Não chores. Assim não podes ir ao baile!

Com um aceno da mão, uma das abóboras do jardim transformou-se numa carruagem! Os animais eram magníficos cavalos! Depois olhou para o seu vestido.

- Que fato maravilhoso! - disse.

Saíram luzes mágicas da sua varinha e envolveram a sua roupa velha transformando-a num vestido branco... e em sapatos de cristal, que brilhavam como as estrelas.

Sentia-se uma princesa!

A Fada-Madrinha avisou-a que a magia não ia durar para sempre. Teria de regressar a casa antes da meia-noite, pois nessa altura tudo voltaria à forma real.

Ao subir para a carruagem Cinderela estava muito ansiosa. Agradeceu à Fada-Madrinha e os cavalos galoparam em direcção ao palácio.

Correu para a sala de baile e viu um jovem muito elegante. Estava a cumprimentar Anastácia quando os seus olhares se cruzaram. Ficou tão atrapalhada que não sabia o que dizer.

Nesse mesmo instante a orquestra começou a tocar uma valsa. Ele pediu-lhe para dançar. Aceitou e ofereceu-lhe a mão. Estava feliz por ele a ter convidado para dançar.

Enquanto dançava com aquele estranho, a sua família olhava para eles com ciúmes. Isso não a preocupava. Elas não a reconheciam. Tudo o que a interessava era o jovem com quem estava a dançar.

Deram um passeio romântico pelos jardins... e sentiram-se os dois apaixonados.

As horas passaram-se...

As horas! Faltavam apenas alguns momentos antes que o vestido... a carruagem... antes que a magia desaparecesse!

Fugiu para se adiantar às badaladas da meia-noite. O Grão-Duque, que era conselheiro do Rei, segui-a, com um sapato de cristal na mão. No meio da aflição, nem se dera conta que lhe caíra um sapato!

Ficou com pena de não se ter despedido, mas já não havia tempo para isso. Na última badalada da meia-noite, os cavalos voltaram a ser os seus amigos ratos, e a carruagem uma simples abóbora.

Apenas tinham deixado para trás um sapato de cristal... e a memória de uma noite encantada.

Na manhã seguinte, todo o reino comentava quem seria a misteriosa jovem que tinha roubado o coração do Príncipe e deixara para trás um sapato de cristal. O jovem com quem Cinderela dançara era... o Príncipe!

Na tranquilidade do seu quarto começou a cantarolar a valsa que estava a tocar quando se conheceram. Apesar de breve, a noite fora maravilhosa!

De repente, assustou-se. A sua Madrasta estava a vê-la pelo espelho! O seu coração deu um salto quando percebeu que ela sabia que Cinderela era a misteriosa jovem de quem se falava.

Lá em baixo o porteiro anunciava a chegada do Grão-Duque. O Rei tinha-o mandado visitar todas as casas do reino e descobrir a misteriosa menina.

A sua Madrasta saiu do seu quarto e fechou a porta à chave.

Cinderela estava a ouvir Anastácia lá em baixo a irritar-se por não conseguir calçar o seu sapato. O criado do Grão-Duque estava impaciente. Ele já devia ter encontrado o verdadeiro amor do Príncipe.

A lógica era simples: bastaria encontrar o pé que coubesse no sapato e estaria encontrada a misteriosa menina.

Cinderela tinha de lhes dizer quem era!

Já estava a desanimar quando ouviu um som na porta. Entretanto, Gus e João tinham encontrado a chave! Correu pelas escadas para falar ao Grão-Duque. Ele viu-a mas a Madrasta fê-lo tropeçar, e ele deixou cair o sapato. Ficou em mil pedaços!

Ela sorriu matreira, porque Cinderela tirou o outro par do bolso do avental. Era o tamanho certo!

Poucos dias depois voltou a ver o Príncipe. Falaram do baile e riram-se. Depois de algum tempo resolveram casar-se e o Rei recebeu-a, na sua família real, com o nome de Princesa Cinderela.

Cinderela não poderia ter sido mais feliz. O que começara como um sonho, tornara-se uma realidade.

Fonte: http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4869315547391808721

Estas são quatro versões que lembram a mesma história...
É muito interessante ler as versões, comparando os detalhes e
percebendo o ditado popular:
"Quem conta um conto, aumenta um ponto!"

Organizado por Ivanise Meyer®

22 de maio de 2010

Lendas Brasileiras

Lendas Brasileiras
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As lendas Brasileiras são originárias da mistura dos povos, da nossa colonização, da nossa cultura.

As lendas não são mentiras, e nem verdade absolutas, são histórias que passam por gerações, e nelas são acrescentados elementos, mas contudo resistem ao tempo e povoam o imaginário, são como livros, só que não são lidas e sim ouvidas.

Mito é o personagem a qual a lenda trata, pois a lenda é a história sobre o determinado mito.
Lendas mais comuns nas regiões do Brasil:

Na Região Norte:
- O Boto
- Vitória-Régia
- Curupira ou Caipora
- Mapinguari
- Boitatá
- Saci-Pererê
- A Origem do Pirarucu
- A Origem do Peixe-Boi
- Capelobo
- Mula-Sem-Cabeça
- Lobisomen
- A Origem da Mandioca
- Onça Maneta
- Onça- Boi
- A origem da Lua
- A Origem do Guaraná
- Iara
- Cuca
- A origem do Sol
- O Diabinho da garrafa
- Cobra-Honorato
- Matita Perêra
- Bicho Papão

Na Região Nordeste:
- Vaqueiro Misterioso
- Negro D’Água
- Cabra Cabriola
- Cuca
- O Diabinho da garrafa
- Quibungo
- Lobisomen
- Saci-Pererê
- Capelobo
- Mula-Sem-Cabeça
- Origem da Mandioca
- Caipora e Curupira
- Bicho-Papão
- Bicho-Homem
- Cabeça de Cuia

Na Região Centro-Oeste:
- Saci- Pererê
- Nedro-D’Água
- Caipora e Curupira
- Arranca-Línguas
- Onça maneta
- Cuca
- Lobisomem
- Bicho-Papão
- Diabinho da Garrafa
- Pai do Mato

Na Região Sudeste:
- Onça maneta
- Cuca
- Lobisomem
- Bicho-Papão
- Procissão das almas
- Mão cabeluda
- Caipora e Curupira
- O Diabinho da garrafa
- Quibungo
- Saci-Pererê
- Mula-Sem-Cabeça

Na Região Sul:
- Cuca
- Lobisomem
- Bicho-Papão
- Saci-Pererê
- Mula- Sem-Cabeça
- O Diabinho da garrafa
- A Gralha Azul
- O Negrinho do Pastoreio
- Procissão das almas
- Mão cabeluda
- Caipora e Curupira
- João de Barro
- Pé de Garrafa

Fonte: http://www.qdivertido.com.br

Organizado por Ivanise Meyer®

Lenda do Uirapuru

Lenda do Uirapuru
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A lenda do Uirapuru é a lenda de um pássaro especial,pois dizem que ele é mágico, quem o encontra pode ter um desejo especial realizado.
O Uirapuru é um símbolo de felididade.
Diz a lenda que um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique.
Por se tratar de um amor proibido não poderia se aproximar dela. Sendo assim, pediu ao deus Tupã que o transformasse em um pássaro.
Tupã transformou o em um pássaro vermelho telha, com um lindo canto.
O cacique foi quem logo observou o canto maravilhoso daquele pássaro.Ficou tão fascinado que passou a perseguir o pássaro para aprisoná-lo e ter seu canto só para ele.
Na ânsia de capturar o pássaro, o cacique se perdeu na floresta.
Todas as noites o Uirapuru canta para a sua amada.Tem esperança que um dia ela descubra o seu canto e saiba que ele é o jovem guerreiro.
♥♥♥
Curiosidades

O Uirapuru é uma ave muito comum na Amazônia Brasileira. Possui um canto longo, de uma melodia suave. Dizem que ele canta cerca de quinze dias por ano.
Os nativos da floresta relatam que quando o Uirapuru canta, toda a floresta fica em silêncio rendendo-lhe homenagem.
Heitor Villa-Lobos, ilustre compositor brasileiro, em 1917 compôs uma sinfonia intitulada "Uirapuru", baseado em material do folclore coletado em viagens pelo interior do Brasil

Fonte: http://www.qdivertido.com.br

Organizado por Ivanise Meyer®

20 de maio de 2010

Mito da Criação da Noite


Mito da criação da noite
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Antigamente não havia noite. Era sempre dia. O Sol brilhava esquentando a Terra. A Lua e as estrelas eram como o Sol. Tudo era luz e claridade na aldeia e na floresta. Os homens trabalhavam sem cessar e as mulheres trabalhavam sem descanso, pois era sempre dia, noite não havia.

O Sol fazia seu percurso até o poente para então retornar pelo caminho inverso ao nascente. Mauá controlava o Sol, a Lua e as estrelas, não permitindo que ninguém deles se aproximasse.

Certa vez, um homem quis saber como o Sol funcionava. Esperou que Mauá saísse para caçar e aproximou-se do Sol. Ao tocá-lo, o Sol quebrou, o mesmo acontecendo com a Lua e as estrelas. E a noite surgiu engolindo tudo. Os homens que caçavam na mata ficaram perdidos na imensidão do escuro. As mulheres mal conseguiam encontrar suas redes dentro da maloca. Crianças e idosos lamentavam-se do fundo da noite sem luz.

Mauá voltou para consertar o Sol. Ao ver o homem que o havia quebrado, Mauá lançou-se sobre ele e o atirou longe. Quando caiu, o homem transformou-se no macaquinho-mão-de-ouro, escuro como a noite e com as mãos douradas como o Sol que havia tocado.

Não foi possível consertar o Sol para que funcionasse como antes. O Sol caminhava para o poente, mas não conseguia retornar, sumindo no horizonte e deixando a Terra na escuridão. Mauá então fez com que a Lua e as estrelas surgissem na ausência do Sol para iluminar um pouco a noite. E é assim até hoje.
Este é o mito da criação da noite dos índios Waimiri-Atroari, que habitam Amazonas e Roraima, na região norte do Brasil. Mauá, para eles, é o ser criador que transforma os homens em animais e cuida dos elementos da natureza: quando está zangado, sopra a ossada da cabeça de uma onça para fazer o trovão. É o guardião da vida: ao nascer uma criança, Mauá está sempre por perto. Mauá protege, mas também se vinga. É um guerreiro como o povo Waimiri-Atroari. O macaquinho-mão-de-ouro que aparece no mito é respeitado pelos índios por acreditarem que ele já foi gente e porque, graças a ele, hoje existe a noite.

Edith Lacerda, educadora que compartilhou durante quatro anos o cotidiano desse povo atuando como professora, recolheu este mito e escreveu esta adaptação.

Retirado de: Revista Ciência Hoje das Crianças, SBPC, ano 12, n.º 94 (agosto/1999)
Organizado por Ivanise Meyer®

19 de maio de 2010

Lenda da Palmeira

LENDA DA PALMEIRA
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Contavam os índios, por tradição de seus antepassados, a história seguinte:

Que antes de chegar o dilúvio havia um homem de grande saber, a quem eles chamavam de Payé (que vale o mesmo que mago ou adivinhador e entre nós profeta), o qual tinha por nome Tamandaré, e que seu grande Tupã, que quer dizer excelência superior, e vem a ser o mesmo que Deus, falava com ele e lhe descobria os segredos: e entre outros lhe comunicara que havia de haver uma inundação da Terra, causada de águas do céu, e alagar o mundo, sem que ficasse monte ou árvore, por mais alta que fosse.

Acrescentavam que excetuara Deus uma palmeira de grande altura que estava no cume de certo monte, e que ia às nuvens e dava um fruto à moda de cocos, e que esta palmeira lhe assinalou Deus para que se salvassem das águas ele e sua família somente, e que no ponto em que o dito Payé a tal notícia teve, se passou logo ao monte que havia de ser sua salvação com toda sua casa.

Eis que estando neste rio certo dia que começavam a chover grandes águas, e que iam crescendo pouco a pouco e alagando toda a Terra, e quando já cobriam o monte em que estava, começou a subir ele e sua gente àquela palmeira assinalada, e estiveram nela todo o tempo que durou o dilúvio, sustentando-se com a fruta dela, o qual acabado desceram, multiplicaram-se e tornaram a povoar a Terra.

Fonte: Lisboa, Henriqueta. Literatura oral para a infância e a juventude. São Paulo: Peirópolis, 2002.
Organizado por Ivanise Meyer®
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